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SERVIÇO EDUCATIVO,

CURSO INTRODUTÓRIO À HISTÓRIA DA ARTE A PARTIR DA COLEÇÃO DO MASP

Orientação: Professor Renato Brolezzi, e a participação de Paulo Portella Filho, coordenador, Christina Guarinello A.Moreira Marx e Luciano Rodrigues,assistentes de coordenação.

Voltado para professores de arte e educadores em geral, o curso oferece uma introdução à cultura figurativa ocidental a partir da análise de obras escolhidas da Coleção do MASP. Oferecido uma vez ao mês – de fevereiro a dezembro, à exceção de Julho - constitui-se no principal apoio conceitual do museu ao professor interessado em futuras parcerias de trabalho com o Serviço Educativo.

Para participar não há necessidade de inscrição prévia: o interessado deve dirigir-se ao museu no dia da aula, pelo menos 30m minutos antes do seu inicio.

Cada participante recebe um certificado pela sua freqüência, e este lhe garante a retirada, logo após a aula, de um convite para visitar o museu e a obra estudada. Com o certificado o participante também poderá ter descontos especiais em compras na Loja do Museu e no Restaurante do MASP.

Os que assim o desejarem participarão, logo após a aula, de uma atividade de avaliação de aproveitamento na aula, com direito a certificado correspondente.

No dia da aula, das 14 às 17h00 a Biblioteca e o Centro de Documentação do MASP ficam abertos excepcionalmente - mediante agendamento no próprio dia - a consultas dos participantes da aula.

Programa 2008

09 DE FEVEREIRO
A Virgem em Lamentação, São João e as Pias Mulheres da Galiléia, de MEMLING

01° DE MARÇO
A Virgem com o Menino em Pé (Madonna Willys), de GIOVANNI BELLINI

05 DE ABRIL
Virgem com o Menino, São João Batista Criança e um Anjo, de PIERO DI COSIMO

10 DE MAIO
O Banho de Diana, de FRANÇOIS CLOUET

07 DE JUNHO
Oficial Sentado, de FRANS HALS

02 DE AGOSTO
Drinkstone Park (ou O Bosque de Cornard), de GAINSBOROUGH

06 DE SETEMBRO
A Educação Faz Tudo, de FRAGONARD

04 DE OUTUBRO
A Banhista e o Cão Grifon (Lise à Beira do Sena), de RENOIR

01° DE NOVEMBRO
O Grande Pinheiro, de CÉZANNE

06 DE DEZEMBRO
A Compoteira de Peras, de LÉGER

Sábados das 11h00 às 13h00
Grande Auditório do MASP - primeiro subsolo
370 vagas GRATUITO

Não há necessidade de inscrição prévia

Orientação: prof. Renato Brolezzi
Assistente de Coordenação do Serviço Educativo do MASP


Aula do Mês

THOMAS GAINSBOROUGH
Sudbury, Suffolk, 1727 - Londres, 1788




Drinkstone Park (O Bosque de Cornard)
Óleo sobre tela, 77x 64 cm, c. 1770.
Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand MASP.

A Obra

Waterhouse abre o capítulo de seu catálogo de 1958 dedicado a "Landscapes of the earlier Suffolk period" com este quadro, esclarecendo desde logo uma confusão sobre seu tema e título: "it is not, as usually state a view of Drinkstone Park, but a free variation on a picture by J. Ruysdael (Louvre), of which Gainsborough made a chalk copy" (p. 107, n. 826). Não obstante esta confusão é de assinalar a coincidência de que a obra foi encomendada ou comprada no ateliê do artista Joshua Grigby, o criador de Drinkstone Park, que de resto pousou em seguida para o artista (Camesasca 1988, p.160).

A obra de Ruysdael em questão, A Floresta, encontra-se em depósito no Musée de Douai, e o belo desenho, datado por Hayes de finais dos anos 40, este efetivamente uma cópia exata do quadro, pertence à Whiworth Art Gallery, University of Manchester, na Inglaterra (Woodall 1949, p. 26). No que se refere à obra do Masp, é certamente possível concordar com Waterhouse, à condição de entender aqui a noção de "variação livre" em seu sentido mais forte, isto é, como reelaboração a partir de alguns elementos da obra de Ruysdael, sendo a intermediação do desenho de Manchester já mediada por uma gravura, talvez de Geissler.

Hayes (1981, p. 182) considera que "este desenho elaborado de A Floresta ensinou-lhe muito, pois ele utilizou a bétula em várias de suas paisagens da época e sua composição como um todo está na base da mais acabada de suas primeiras obras, a tela conhecida pelo nome de Floresta de Gainsborough (National Gallery, Londres), assim como no quadro em São Paulo". A obra de Londres é também chamada O Bosque de Cornard, de modo que a obra do Masp pode representar um compromisso entre o modelo holandês e uma paisagem real. Tal razão induziu Camesasca a propor hipoteticamente um título alternativo à obra do Masp: O Bosque de Cornard. Hayes (1982, p. 347) data a obra do Masp de 1747 por suas estreitas similitudes com o Rest by the Way do Philadelphia Museum of Art daquele ano, única obra datada por Gainsborough (Baetjer 1993, p. 104).

Drinkstone Park é maior paisagem pintada por Gainsborough até o período de Bath. Para Hayes, a execução é muito mais solta e madura que em todos os quadros anteriores, e, até 1763, data da paisagem de Worcester enviada pelo artista à exposição da London Society of Artists, não há registro de outra obra sua com dimensões comparáveis.

O tema da figura que dorme à beira da trilha encontra-se, em Gainsborough apenas nessa obra e na de Philadelphia e derivaria da influência de Berchem (Hayes 1981, p.97). Uma cópia aproximadamente do mesmo tamanho, atribuída possivelmente a Francis Towne, encontra-se no Leicester Museums and Art Gallery. Camesasca (1987, p. 146) nota que a estrutura do quadro está baseada, como é comum a Gainsborough quando jovem, em três "lugares" ou focos de atenção, e na retomada de motivos já utilizados em outras obras, derivados de paisagistas flamengos, que o pintor gostava muito de imitar, como revela numa carta.

O Artista

Certas oposições encontram, em história da arte, o valor de uns topos, de uma referência do espírito. Nascido no insubordinado e orgulhoso condado de Suffolk, Gainsborough foi com freqüência oposto a Reynolds: "A independência, o não-conformismo, a intuição, uma originalidade espontânea (...) são os traços maiores de Gainsborough, enquanto o conformismo, a precisão, a aplicação regular ao trabalho são os de Sir Joshua Reynolds, seu grande contemporâneo e rival" (Hayes 1980, p.19).Mais que pessoal, tal oposição parece com efeito tipológica, num século iluminista que se revela paradoxalmente ser o século do "sentimento". Gainsborough foi, deste contexto, por assim dizer, o Rousseau da pintura inglesa.

Durante a adolescência, a campanha de Suffolk foi seu tema de eleição, até que em 1740 ou 1741 seus pais concedem-lhe permissão para partir para Londres, então subjugada pelos charmes da virtude de Pamela, o famoso romance epistolar de Samuel Richardson, e pela ironia dos amigos de Richardson, Dr. Johnson e Hogarth, o qual acabara de pintar o retrato de O Capitaine Coram para o Asilo das Crianças Abandonadas, ponto de encontro em voga na cidade. Em Londres Gainsborough segue os cursos do gravador parisiense Hubert-François Gravelot (1699-1773), então muito procurado por suas ilustrações, e, em seguida, a academia de St. Martin’s Lane, dirigida por Hogarth e freqüentada por Francis Hayman (1708 - 1776) e por Reynolds. Por volta de 1745, abre ateliê em Londres e começa a pintar pequenas paisagens à maneira de Ruysdael, Berchem e Wijnands. Mas em 1748, recém-casado com a filha ilegítima do duque de Bedford, e cansado da vida da grande cidade, retorna a Sudbury, optando por uma carreira provinciana, na qual retrato e paisagem pudessem entreter-se em um novo diálogo. O Casal Andrews da National Gallery reinterpreta a conversation piece em clave lírica e sentimental, nutrida de um sentimento mais direto de natureza. Em finais de 1752, Gainsborough muda-se para Ipswich, em Suffolk, onde conhece seu futuro biógrafo, Philip Thicknesse, capitão da guarnição do forte de Landguard. As cenas campestres de Ipswich são justamente consideradas por Hayes mais superficiais, "como a contrapartida naïve das pastorais mais elaboradas de Boucher e de Zucarelli" (p.21).

A clientela rarefeita impulsiona em 1759 uma nova mudança, para Bath, estação de águas das mais elegantes da Europa. Ao longo dos quinze anos seguintes, Gainsborough vive uma inflexão importante em sua carreira, motivada pelo surgimento de uma enorme clientela, que o leva a um grave esgotamento em 1763, e à busca de repouso na pintura de paisagem, mas sobretudo a uma transformação fundamental de sua arte, em contato com os Lorrain, os Rubens e os Van Dick abundantes nos castelos locais. Para ele posam, então, George III e a rainha Charlotte, seus quadros são aguardados doravante nas exposições promovidas pela London Society of Artists, fundada em 1760, e igualmente pelas exposições da Royal Academy, de que ele é o único membro fundador, em 1768, de origem provinciana. Em 1744, enfim, Gainsborough muda-se para Londres, onde aluga uma ala da Scohmberg House em Pall Mall, signo de uma situação econômica perfeitamente consolidada. Após alguns dissabores com as exposições da Royal Academy, que suspendem demasiadamente alto seus retratos de corpo inteiro, o artista volta a expor em 1777 e 1784, quando sobrevém pelo mesmo motivo uma segunda e definitiva ruptura com a equipe de montagem. Entrementes, seu sucesso ganha uma ressonância irreversível e ele pode-se permitir expor doravante na própria Scohmberg House. Em 1777, ano da primeira de numerosas encomendas reais, Horace Walpole declara uma de suas paisagens digna dos grandes mestres do passado, e em 1782 uma de suas fancy pictures (cenas de gênero sentimentais) será comprada pelo próprio Reynolds.

Apesar da reputação de retratista, Gainsborough retorna invariavelmente à paisagem. Os campos da Inglaterra acharam no pintor de Sudbury um intérprete inspirado, seja nos quadros, seja nos desenhos, muito numerosos, onde os lugares são representados de forma idealizada, às vezes a partir de gravuras, sem contudo perder suas características peculiares e seu natural. Também as citações eruditas ocorrem, mas Gainsborough transfigura poeticamente suas fontes culturais como em O Caminho para o Mercado (1786-1787, Tate Gallery), inspirado em Rubens.
Amigo íntimo de Johan Christian Bach, que ele retratou por duas vezes, Gainsborough era um instrumentista de talento, um amigo de músicos e um amante das noitadas musicais (Stainton 1977), malgrado a firme oposição de sua mulher e uma saúde frágil, que um câncer fulminou em poucos meses. Reynolds, debruçado sobre o leito do moribundo, teria sussurrado: "Nós iremos para o Paraíso e Van Dick estará na festa". A anedota, reportada por Rosemberg (1981, p.11), faz-nos imaginar uma das mais delicadas conversation pieces do Setecentos inglês.

Luciano Migliaccio

Texto extraído do
Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte Francesa
Coordenação geral: Luiz Marques
São Paulo, Editora Prêmio, 1998.


Aulas anteriores

2008:
FRANS HALS - Oficial Sentado
FRANÇOIS CLOUET - O Banho de Diana
PIERO di COSIMO - Virgem com o Menino, São João Batista Criança e um Anjo
GIOVANNI BELLINI - A Virgem com o Menino de Pé, abraçando a Mãe (Madona Wilys)
HANS MEMLING - A Virgem em Lamentação, São João e as Pias Mulheres da Galiléia

2007:
FRANÇOIS-AUGUSTE-RENÉ RODIN - A Eterna Primavera
PAUL GAUGUIN - Pobre Pescador
DAUMIER, Honoré - Duas Cabeças
FRANCISCO GOYA Y LUCIENTES - Retrato de Don Juan Antonio Llorente
JOSÉ FERRAZ DE ALMEIDA JÚNIOR - Moça com Livro
GIOVANNI ANTONIO PELLEGRINI - A Rainha Tômiris
GUIDO RENI - Suicídio de Lucrécia
GIAMPIETRINO (chamado GIAN PIETRO RIZZI) - A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração
TIZIANO VECELLIO - Pieve di Cadore (Belluno) - Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo
RAFFAELLO SANZIO - Ressurreição de Cristo
PABLO RUIZ PICASSO - Málaga, 1881 – Mougins (Cannes), 1973
PAUL CÉZANNE - Madame Cézanne em Vermelho
JEAN-BAPTISTE-SIMÉON CHARDIN - Jeune Ecolier Qui Joue Au Toton
DIEGO RODRÍGUEZ DE SILVA VELÁZQUEZ - Conde-Duque de Olivares
VITOR MEIRELES DE LIMA - Moema

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