EXPOSIÇÃO REÚNE 82 OBRAS PRIMAS DE DALÍ, PICASSO,
TÀPIES, PICABIA, MIRÓ, JUAN GRIS E OUTROS GÊNIOS NO MASP
Museu abre ao público na sexta, 13 de junho, exposição com 82 desenhos de alguns dos maiores artistas do século XX. Vindas da Fundação Mapfre, sediada em Madri, obras de Picasso, Dalí, Chillida, Juan Gris, Tàpies, Torres García, Picabia, Miró, dentre outros, serão apresentados em curta temporada até 27 de julho
Uma das principais exposições internacionais do MASP em 2008 tem o desenho como protagonista: Desenhos Espanhóis do Século XX - Coleção Fundação Mapfre, com abertura ao público em 13 de junho. Sob a curadoria de Pedro Benito, da Fundação Mapfre, a exposição reúne artistas de técnicas e estilos distintos: Picasso, Miró, Juan Gris, Dalí, Picabia, além de vários artistas de destaque no cenário espanhol como Óscar Dominguez, Viñes, De la Serna, Manuel Ángeles Ortiz e Bores.
Fundamento prévio da pintura, escultura e arquitetura e vistos como anotações e esboços até praticamente o século XV, os desenhos não passavam de um mero procedimento, anterior à pintura, que desapareciam no resultado final. Mas a partir da era moderna passaram a ser contemplados como obras acabadas em si mesmas. A Espanha de Francisco Goya y Lucientes (1746-1828) sobressai-se no quesito e nos últimos cem anos vê surgir alguns dos maiores gênios da técnica. É o que esta Coleção foca através de 82 trabalhos de grandes nomes da arte do século XX.
Antecessores da modernidade espanhola - Regoyos, Piñole, Sunyer - surgem acompanhados de mestres da vanguarda internacional, dentre eles Picasso, Miró, Dalí. Escultores de relevância mundial como Casanovas, Rebull, Ferrant, Julio González e Chillida estão expostos ao lado de artistas de outros países que viveram e produziram na Espanha, com repercussão mundial, como os uruguaios Torres Garcia e Rafael Barradas.
Cada um dos desenhos é acompanhado de um comentário crítico que esclarece o seu sentido dentro da trajetória do artista. Assim, Desenhos Espanhóis do Século XX - Coleção Fundação Mapfre apresenta uma pluralidade de perspectivas que permite contemplar um desenho como esboço e como obra autônoma ao mesmo tempo.
| Exposição | DESENHOS ESPANHÓIS DO SÉCULO XX - COLEÇÃO FUNDAÇÃO MAPFRE |
| Realização |
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand |
| Local |
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Av. Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo - SP |
| Estacionamento |
Garagem Trianon - Pça. Alexandre Gusmão Progress Park - Avenida Paulista, 1636 |
| Abertura | 13 de junho |
| Período | De 13 de junho a 27 de julho |
| Horário |
terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h. A bilheteria fecha com uma hora de antecedência. |
| Ingresso | R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos. |
| Dia Gratuito | Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas |
| Serviço Educativo | Agendamento de grupos (escolas e outros) 2ª a 6ª das 9h00 às 17h00 - (11) 3283-2585 |
| Ass. Imprensa |
Comunique Assessoria de Comunicação Fones 11 3812 2780 / 3032 2424 Com Annete Morhy, cel 8777 3377 annete@comunique.srv.br |



TEXTO DO CURADOR DO MASP, TEIXEIRA COELHO
Os desenhos da Coleção Mapfre no MASP
O papel contém a verdade da arte. Se essa afirmação for demasiado forte, não será exagero dizer que o papel contém boa parte da verdade da arte. É no desenho sobre papel que se encontra aquilo que Lévi-Strauss chama de o principal requisito da arte e do artista: o métier. Para o antropólogo, métier nada mais é que, de um lado, a “demorada observação de seu objeto” e, de outro, a capacidade de representá-lo verazmente. É nesse sentido que o papel, em particular o papel do desenho, contém, senão roda a verdade da arte de um artista, sem dúvida a maior parte da verdade de sua arte. Demonstram-no não apenas os inúmeros estudos preparatórios de Picasso para seu Gernica como todos esses outras aproximações a seu objeto feitas por artistas contemporâneos de vanguarda que aparentemente nada mais têm a ver com esse clássico que é o desenho e que, no entanto, a ele se entregam repetidamente e com tanto emprenho que não raro esses estudos se transformam em “obras” tão apreciadas, estética e economicamente, quanto as obras finais a que dão origem. E quando não é esse o caso, o recurso ao desenho sobre papel freqüentemente serve para o artista nele expressar o que sente, do modo mais pessoal e livre possível - uma vez que, por um incompreensível hábito cultural, a obra de arte em papel continua sendo menos valorada que as outras, permitindo ao artista entender que o que põe no papel interessará apenas a si mesmo e será para “uso pessoal”.
O que não deixa de ser uma sorte para as magníficas coleções que podem ser então formadas, como esta da Fundação Mapfre que reúne autênticas obras-primas da arte mundial assim preservadas pela iniciativa espanhola. Para o MASP, que igualmente tem uma ampla coleção de obras em papel, é um especial prazer poder receber, e apresentar ao público brasileiro, estes momentos altos da arte do século XX, algo possível graças à cooperação entre o museu e a iniciativa privada que sabe reconhecer a função relevante que têm a desempenhar na divulgação da cultura.