Uma das mais emblemáticas obras do Impressionismo, O artista, de Manet, segue em cartaz desde 28 de novembro, integrando o programa Obra em Contexto, iniciado em outubro com a série de quatro telas de Paul Cézanne, ainda em exibição no museu.
A tela O artista – Retrato de Marcellin Desboutin (1875), na qual Edouard Manet representa um amigo que viveu entre 1823-1902, é apresentada ao lado de reproduções Desboutin gravando com Vicomte Lepic (1876), de Edgar Degas; Auto-retrato: homem com cachimbo (1849), de Courbet; e Retrato do Conde-Duque de Olivares (1624), de Diego Velazquez; obras que ampliam a esfera de compreensão do quadro de Manet. A obra retorna ao Masp depois de participar da exposição “Rebeldes e mártires: A imagem do artista no século 19”, realizada de junho a agosto na National Gallery, Londres, onde foi restaurada e recebeu nova moldura.
Segundo o próprio Manet, o retrato de Desboutin sintetizava “toda uma época”, expressão que conseguiu pintando, ainda em suas palavras, apenas “a mais extraordinária personalidade do bairro”. Com esta tela, Manet confirmava sua adesão à Nova Pintura que surgia, o impressionismo, praticada pelo grupo de artistas que incluía o retratado.
A tela foi uma das duas obras enviadas por Manet para o Salão de 1876, onde foram vetadas. Chocado com a rejeição, Manet decidiu mostrá-las em seu ateliê – “o salão de um recusado”. Um crítico da época disse que esta “teria sido uma das telas mais fortes do Salão”.