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ALDEMIR MARTINS POR ALDEMIR MARTINS

De 24 de junho a 02 de outubro de 2005



Inauguração 23 de junho de 2005 (19:30)
Local MASP - Av. Paulista, 1578 - tel: (11) 3251.5644
Horário Terça a domingo das 11h00 às 18h00 - bilheteria fecha com uma hora de antecedência
Ingresso R$ 10,00 e R$ 5,00 estudantes (UNE, UMES) - Clube Folha: R$ 5,00 - Grátis: até 10 anos / maiores de 60 anos / Escolas Públicas agendadas



Sete décadas de Sucessos Artísticos – 1945-2005
Masp inaugura exposição retrospectiva de Aldemir Martins e promove o lançamento do livro do grande pintor e gravador brasileiro, conhecido pelos seus temas do nordeste, animais e mulheres.

A retrospectiva de um dos maiores artistas brasileiros vivos é uma homenagem do Masp ao talento de Aldemir Martins, que em sete décadas de atividades contínuas, mostra ser o maior representante da vitalidade do Homem nordestino.

A exposição no Masp

Após 3 anos de pesquisas e entrevistas com Aldemir Martins e o apoio de Umberto Mateus, Mariana e Pedro Martins, a idéia de homenagear um dos mais ativos artistas brasileiros resultou em um livro e uma exposição retrospectiva com 192 obras, sendo 136 pinturas e 56 obras sobre papel.

A exposição terá obras inéditas e será dividida em vários núcleos, que abrangerão os grandes temas de interesse do artista, entre eles:

  • Primeiros anos
  • Animais - Gatos, Galos, Pássaros, Corujas, Peixes, Caranguejos, etc.
  • Figuras Humanas - Cangaceiros, Cenas Cotidianas, Trabalhadores, Pescadores, além de Mulheres, Baianas, Rendeiras e Nus
  • Naturezas Mortas e Paisagens - Frutas, Vasos de Flores, Cactos com Flores, Praias, Dunas, Palmeiras, Casario, etc.

  • A exposição tem curadoria de Benemar Guimarães, Umberto Mateus e Aldemir Martins, que pesquisaram desde 2003 as obras mais significativas em sua trajetória; desde muito jovem até seus trabalhos atuais. A organização temática cria um maior entendimento da totalidade da obra de Aldemir Martins e mostra sua trajetória durante sete décadas. Será possível comparar o virtuosismo do traço - presente no desenho – com o domínio de uma rica palheta de pintura, onde Aldemir se mostra um exímio colorista.

    Impetuoso na criação, Aldemir também tem dentro de si a aflição angustiante das muitas linguagens e imagens que o perseguem.

    Foi em São Paulo que Aldemir adquire sua formação na técnica através dos cursos de arte do MASP (através do IAC – Instituto de Arte Contemporânea criado por Lina Bo Bardi), o que fez com que aprofundasse suas raízes de nordestino, de índio e de mestiço.

    Aldemir Martins participou do curso de monitores para o Masp em 1949, organizado por Pietro Maria Bardi, do curso de gravura em 1950 e em 1951, e com apenas 29 anos, recebeu o prêmio na I Bienal de Arte de São Paulo. Em 1956 Aldemir recebe o prêmio de melhor desenhista na Bienal de Veneza, onde representou o Brasil. Do desenho e da gravura o artista alcançou a pintura onde se mostrou um mestre da palheta, traduzindo como poucos a riqueza do nordeste e do Brasil.



    LANÇAMENTO DE LIVRO

    Durante a abertura da Exposição será lançado o livro Aldemir Martins por Aldemir Martins com prefácio de Emanoel Araújo, artista plástico e amigo-irmão do artista há muitos anos, textos de Anna Maria Martins, Benemar Guimarães, Carlos Soulié S. do Amaral, e Cora Bast Martins (esposa do artista), além de introdução do arquiteto Júlio Neves, Presidente do Masp.

    O livro também conta com um trabalho de pesquisa bastante árduo, que inclui toda a bibliografia do artista, suas exposições e publicações seu trabalho em moda, joalheria, artes-gráficas, tapeçaria, etc., além de entrevistas onde pela primeira vez Aldemir Martins fala de sua obra, de sua carreira, sua vida simples no nordeste, a vinda para São Paulo e o reconhecimento como grande artista nacional e internacional.

    A coordenação e o trabalho editorial foram desenvolvidos por Benemar Guimarães (médico e jornalista profissional, editor de revistas e jornais técnico-científicos destinados exclusivamente à classe médica), a participação do próprio Aldemir, de Umberto Mateus (arquiteto e seu assistente administrativo há mais de 20 anos) e seus filhos (Mariana e Pedro).

    Os depoimentos de Aldemir e de seus familiares e amigos mais próximos foram complementados por entrevistas, reportagens e outras matérias publicadas sobre seu trabalho.

  • Todo o material editado foi distribuído pelas sete décadas que caracterizam a obra, de modo a reunir exemplos das realizações de Aldemir em suas distintas etapas de produção, incluindo algumas influenciadas pela sua conhecida admiração pelos trabalhos de Picasso e Miró.
  • A obra de 256 páginas, a 4 x 4 cores, com cerca de 410 ilustrações entre desenhos e pinturas. Impressão em papel couché fosco (145 g). Capa dura com sobrecapa. Tiragem: 4 mil exemplares
  • O lançamento do livro será realizado concomitante com a abertura da Exposição Aldemir Martins Sete Décadas de Sucessos Artísticos



  • BIOGRAFIA

    Filho de Raimunda, índia bugre do Quexaromobim, e de Miguel de Souza Martins, funcionário público que na época atuava na rede ferroviária do Ceará, Aldemir Martins nasceu em Ingazeiras, no interior cearense, em 8 de novembro de 1922.

    Acompanhando a família, logo mudou-se para Guaiuba, nas proximidades da capital Fortaleza.

    Depois de passar pelo Colégio Militar e o Ateneu São José, onde logo ganhou notoriedade pela qualidade de seus desenhos, em 1941 foi convocado para servir ao Exército Nacional. Como a Segunda Guerra Mundial estava em plena ebulição, Aldemir permaneceu em funções militares até fevereiro de 1945. No decorrer desse período desenhou o mapa aerofotogramétrico de Fortaleza e venceu um concurso nas Oficinas de Material Bélico, sendo nomeado “Cabo Pintor”.

    Liberado, preocupou-se em expandir suas atividades relacionadas às artes plásticas. Participou ao lado de Antonio Bandeira e de outros artistas e intelectuais locais da fundação do Grupo ARTYS, uma iniciativa que acabou resultando no advento da SCAP - Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

    Nessa fase conheceu Paulo Emilio Salles Gomes, um paulistano que em visita ao Ceará adquiriu um dos trabalhos de Aldemir e, percebendo o talento extraordinário do jovem artista, o incentivou a mudar-se para centros que dispunham de atividades mais avançadas no campo das artes.

    Impulsivo e vivamente interessado em ampliar seus horizontes, Aldemir viajou naquele mesmo ano (1945) para o Rio de Janeiro, onde foi recepcionado pelo amigo Antonio Bandeira, que tinha se mudado um pouco antes para a Cidade Maravilhosa.

    Nos meses seguintes, porém, Bandeira ganhou um prêmio e foi aprimorar seus talentos na Europa. Sentindo-se um tanto isolado e atraído pelos convites de Salles Gomes, Aldemir transferiu-se para a capital paulista, em 1946, onde se radicou e vive até hoje, em uma rua tranqüila do Ibirapuera.

    Passada a fase de adaptações, as premiações não tardaram a chegar no Brasil e no exterior.

    Sempre animado, muito falante, humilde e prestativo, Aldemir não demorou a se integrar no meio artístico de eixo Rio/São Paulo, apesar das dificuldades para superar a forte influência européia que então predominava nos meios culturais brasileiros.

    Em 1947, acontecia o primeiro destaque com o terceiro lugar na mostra “19 pintores”, em que o juri era composto pelos inesquecíveis Lasar Segall, Anita Malfatti e Emiliano Di Cavalcanti.

    Em 1949, fez um curso sobre História da Arte, ministrado pelo professor Pietro Maria Bardi, para trabalhar como monitor no recém fundado MASP – Museu de Arte de São Paulo (Assis Chateaubriand).

    No ano seguinte, fez um curso de gravura no próprio MASP, sob a orientação do consagrado gravurista Poty Lazzarotto.

    A partir daí não parou mais. Na I Primeira Bienal de São Paulo, realizada em 1951, foi agraciado com o único prêmio de desenho, Olivia Guedes Penteado.

  • Na II Bienal (1953) ganhou o Prêmio Nadir Figueiredo SA
  • Na III Bienal de S. Paulo (1955) ganhou o prêmio como Melhor Desenhista.
  • Em 1956, alcançou sua maior conquista em nível internacional, ao receber na XXVIII Bienal de Veneza, Itália, o Prêmio “Presidente Del Consiglio dei Ministri”, como Melhor Desenhista Internacional. Na ocasião foi considerada a maior premiação conquistada por um artista da América Latina no plano internacional.

  • Na seqüência de seu sucesso inusitado, Aldemir realizou exposições na Itália, incluindo uma exibição de seus desenhos em companhia de xilogravuras, de Livio Abramo, em Roma (1956).

    Numa década (1950) de muito trabalho e gratificações sem limites, Aldemir fez sua estréia na cenografia profissional, com a peça Lampião, escrita por Raquel de Queiroz e encenada no Teatro Leopoldo Fróes, em S. Paulo, SP, com Sérgio Cardoso e Araçari de Oliveira.

    No VIII Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1959, ganhou o Prêmio de Viagem ao Exterior, o que propiciou um produtiva temporada de dois anos em Roma e em outras capitais européias, em companhia de sua mulher Cora Pabst e de sua filha Mariana. O outro filho, Pedro, tinha outros interesses e não participou daquela primeira empreitada na Europa.

    Em 1958, a convite do governo norte-americano, passou mais de três meses, nos Estados Unidos, com apresentações em Washington, DC, Boston e Filadélfia.

    Em 1966, foi para Londres, acompanhar a Copa do Mundo de Futebol. Embora tenha sido frustrado pela pobre campanha da seleção “canarinho”, Aldemir aproveitou para se integrar no uso de tinta acrílica, ainda pouca conhecida no Brasil.

    Em 1988, aceitou o convite do governo chinês para participar de atividades na Galeria de Belas Artes da China, em companhia de Rubens Matuck, outro artista brasileiro de prestígio.

    Aldemir: um artista de muitos talentos, gostos e tendências

    Dinâmico, inquieto e sempre em busca de novidades, Aldemir produziu de tudo na vida, além de seus desenhos e pinturas mais bem conhecidos:

  • desenhou jóias, tapetes, luminárias, embalagens, peças promocionais, pratos, cerâmicas e tantos outros objetos de muita arte e classe;
  • ilustrou obras de imenso valor intelectual, como o Navio Negreiro, com textos de Castro Alves, Os Sertões, de Euclides da Cunha (a partir da 27ª edição), e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, entre muitas outras;
  • desenhou e pintou murais decorativos de residências, edifícios, bares, hotéis e restaurantes, etc.
  • ao lado de Araujo Netto e George Torok, produziu o clássico “Brasil Futebol Rei”.

  • Corintiano sempre fiel até mesmo nas fases sofridas de muitas derrotas, Aldemir já foi dono de time de futebol em Baronesa da Macatuba, no Ceará.

    Para se consolar, chegou a fumar charutos e beber cachaças de linha especial, como a Grã-Fina, de Jequitinhonha, e a Solar, de Santa Catarina.

    Casado com Cora Pabst, pai de dois filhos (Mariana e Pedro) e avô de três netos, Aldemir se confessa um homem realizado que continua a viver intensamente, procurando desfrutar de cada instante de seu dia-a-dia.



    Aldemir Martins - 2004


    Baiana - 1980


    Bumba meu Boi - 1962


    Violeiro - 1956


    Cangaceiro - 1980


    Cangaceiro - 1977


    Macunaíma - 1982


    Bumba meu Boi - 1981


    Gato - 1982


    Gato - 1975


    Mariana - 1976


    Perfil de Mulher - 1967


    Mulher Rendeira - 1977


    Rendeira - 1967


    Vaso de Flores - 1949



    Estacionamento Garagem Trianon – Pç. Alexandre Gusmão
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